<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920</id><updated>2012-02-16T08:29:29.975-02:00</updated><title type='text'>Em off</title><subtitle type='html'>Um espaço que agora se ocupa em dar destino à vida de um personagem.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>19</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-1036391805316168849</id><published>2009-04-12T13:02:00.005-03:00</published><updated>2009-04-12T13:52:39.467-03:00</updated><title type='text'>As três negações de Belarmino Moretti (II)</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Um épico de aventura em três negativas)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:612.0pt 792.0pt;  margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;  mso-header-margin:36.0pt;  mso-footer-margin:36.0pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Capítulo II&lt;/span&gt; – de como Belarmino tem a estranha sensação de se ter passado muito tempo entre o primeiro capítulo e esse outro aqui e de como posteriormente salvou o estranho cavaleiro de sua prisão de lodo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;E bem que parecia para Belarmino que o tempo custava a passar. Era como se, do momento em que saíram da fazenda até chegarem à estrada principal houvesse decorrido uma infinidade de tempo, algumas estações talvez, permeadas de cheias e secas. Sem dúvida era uma sensação estranha, por demais difícil de descrever. Há de se perdoar essa falta de precisão do relato: pois que podia saber esse rapaz das coisas que se passavam com o mundo, dos fenômenos das terras e do ar? Era apenas um Belarmino jovem, Moretti, é certo, mas mesmo assim apenas um rapazote ignaro, muito diferente do Belarmino velho, o seu passado avô, que esse esperto era por demais, tão esperto que até encontrara um jeito de subir às mais altas estrelas do céu e lá permanecer a vigiar a vida daqui de baixo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;Mas Belarmino, frente a todas essas manifestações dos tempos, apenas conseguia dar de ombros, não compreendendo a estranha sensação de terem partido da fazenda pelo verão e agora parecer inverno por ali. Não pensou sequer em contar as horas, isso era artifício que nem conseguiria; tempo não era uma das coisas mais exatas na época desse ocorrido. Pois contavam-se as estações que passavam, via-se mais ou menos quanto faltava para o sol descer cobrindo a vista com a mão, mas além disso, tempo pelo tempo não existia, talvez pela falta de necessidade, talvez pela falta de tempo em descobrir um meio de se contá-lo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;As rodas da carroça que conduziam o pai de Belarmino, as várias coisas de comer, os produtos de ferreiro produzidos pelos seus na forja da curva do rio do Vale dos Morettis, os panos para armar a tenda quando chegassem ao paço imperial e uma irmã de Belarmino escondida enrodilhada numa das toalhas que serviriam para estender a mesa produziam sulcos profundos na estrada úmida. Já de bem longe se notava pesada a composição, mas de peso de Belarmino que não era, pois estique o pescoço e veja ali que vai andando o rapaz ao lado da carroça, os olhos baixos, contando as diversas chicotadas que o pai dava na égua, que resfolegava e soltava um bafo quente pelas narinas e os passos das diversas gentes que encontrava pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;Muitos eram os Morettis que se juntavam a eles antes de atingirem a saída do vale. Daqui e dali saíam das casinhas de faina de muro baixo, dos celeiros e das habitações de barro e pedra vários parentes, tios, tias, primos de primeiro, segundo e terceiro graus, amigos, empregados, conhecidos de perto de longe e já outros nem tanto conhecidos, todos eles Morettis, todos habitantes do mesmo fundo de vale, Belarmino também um deles mas só mais um no meio de tantos. Ia-se engrossando a comitiva conforme iam atingindo a estrada principal, serpenteando pelos vales encharcados.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;A razão de ser dessa comitiva era um só: ir ao paço imperial para celebrar as boas colheitas junto aos seus e ver o casamento da filha do rei com um fidalgo deoutra localidade. Não que isso fosse somente a única razão que guiasse a todos eles; certamente que razões ocultas outras existiam, haveria alguns que lá estavam indo para casarem-se escondidos, outros que estavam indo para amarem-se escondidos sem necessariamente terem que se casar e outros que estavam indo para surrupiarem escondidos daqueles que estivessem casando ou se amando escondidos. Havia todos esses, outros mais e Belarmino, que para a festa estava indo sem nenhuma razão definida, a cabeça baixa, contando os passos das pessoas. Mas como razão alguma não é razão para se contar uma história, eis que nos surge a afamada da razão de Berlarmino, na forma de um cavalo desgovernado, um corcel munido de emblema de alguma cavalaria dalgum reino, que trazia em cima de si um cavaleiro com pesada armadura e que se dirigia, abrindo espaços na multidão, para o destino acertado de onde estava Berlarmino.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;Achegava-se com todas as forças, o escuro e resfolegante corcel. Porém, antes que fosse esmagado pelas patas do cavalo, Belarmino foi salvo. E não foi por uma mão heróica que se estendera no último momento para tirá-lo do caminho; antes deve ter sido pela própria inépcia do cavaleiro, ou sagacidade do cavalo, é uma coisa que nunca iremos saber. Pois eis que o cavaleiro da cavalaria desconhecida envereda no último instante sobre a carroça do pai de Belarmino, tomba-a e assusta a velha égua da família que, desembesatada, sai a trotear campina afora. E Belarmino, tanto mais divertido do que de fato assustado, vai logo acudir o cavaleiro, que no resultado de todas as ações que o acidente causou, acabou de cara num charco que ladeava a estrada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;Saltando dentro d'água, Berlarmino tenta erguer o cavaleiro em sua pesada armadura de belo metal brilhante, bem diferente daquele que o pai comumente trabalhava na forja da curva do rio. Mas a ajuda logo se converte em um quase belo gesto inútil; pois o cavaleiro de tal maneira encontrava-se afogado no charco que dificilmente dali um menino como Belarmino conseguiria tirá-lo. Mesmo assim, o conjunto armadura cavaleiro menino fazia um grande rumor, agitando inesperadamente as águas paradas, na tentativa de se livrar do banhado. De dentro do pesado elmo do cavaleiro, que lhe caíra sobre o rosto com o acidente, vinham alguns suspiros afoguetados.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;Após alguns instantes, vendo que a empreitada dificilmente lograria algum sucesso, Belarmino tem uma idéia melhor. Corre para a carroça, tombada no meio da estrada, com os pertences por ali espalhados e a sua irmã a choramingar assustada dentro da toalha amarrada, e procura por uma grossa corda que, quando não estava na função de servir de amarração a barraca estava na mão de seu pai para dar uma surra nele e nos seus irmãos, e a leva imediatamente ao local do acidente.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;Por ali em volta alguns curiosos se ajuntavam, comentando o acidente. Sim, é certo que já naquela época os acidentes traziam naturalmente atados a si um bando de curiosos a reboque, gente que parecia estar ali previamente, por detrás dos barrancos, ou vagando pelas charnecas, somente à espera do acidente acontecer para ao local ocorrer e ficar a esmo, conjecturando sobre as causas do ocorrido, enquanto algumas crianças riem dos esforços inúteis do cavaleiro para se livrar da armadilha em que o acidente o colocara. Ignorando os comentários e abrindo espaços entre a turba murmurante, Belarmino se enfiou de novo dentro do charco, para perceber que o cavaleiro estava mais atolado que dantes, com meio corpo invisível nas moitas. Com a habilidade de selar cavalos, Belarmino passa a corda por debaixo dos braços do cavaleiro, amarrando-a bem forte nas suas costas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;Dali então salta do charco para uma velha árvore posta pelos tempos, de varde, ao lado da estrada, já velha e quase tentada a mergulhar definitivamente no lodo. Sobe rapidamente por cima de seus galhos secos, o mais alto que pode, e salta do lado oposto, esticando a corda em sua tensão máxima. Não chega a atingir o chão; antes fica ali dependurado, fazendo contra-peso ao cavaleiro que, lá do charco, começa a dar sinais de se levantar das águas. O povo que assiste começa a exclamar excitado, pois muito engenhoso é o invento do menino, passando a corda estrategicamente ao redor da árvore aqui e ali, criando um interessante jogo de roldanas naturais que, magicamente, fazem o pesado cavaleiro se erguer do outro lado.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;Agora Belarmino quase toca o chão com seus pés, o cavaleiro do outro lado livre de sua prisão de charco, só que agora preso no ar, amarrado pela corda. Quando toca o chão, rapidamente, Belarmino dá a volta por sobre o tronco da árvore com o resto da corda, olhando para o cavaleiro com uma expressão satisfeita. Reação nenhuma a estranha figura exprime; antes parece que o menino Moretti acabou de salvar uma armadura que achara presa no lodo, resultado dalguma batalha do passado que, uma vez livre, agora está ali pendurada a secar, escoando água e plantas aquáticas pelas suas fendas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-1036391805316168849?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/1036391805316168849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=1036391805316168849&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/1036391805316168849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/1036391805316168849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2009/04/as-tres-negacoes-de-belarmino-moretti.html' title='As três negações de Belarmino Moretti (II)'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-2320871176704057992</id><published>2007-04-29T23:37:00.000-03:00</published><updated>2007-04-29T23:42:50.925-03:00</updated><title type='text'>As Três Negações de Belarmino Moretti (I)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Um épico de aventura em três negativas)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Capítulo Um&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;- de como Belarmino escutou de sua mãe o ensinamento das três proposições e de como ele quase tomou mais uma surra em nome de um de seus irmãos.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dos únicos ensinamentos que Belarmino Moretti legou da mãe ainda em vida foi que um verdadeiro homem e um honrado cavalheiro deveria sempre apresentar suas intenções, a quem quer que fosse, ao menos três vezes. Era somente assim que os ciclos se completariam e a ordem das coisas poderia seguir adiante. É a ordem natural das coisas, cantava sua mãe lá de cima do monjolo, enquanto moia o trigo para fazer farinha. Era o que um verdadeiro homem e honrado cavalheiro deveria sempre fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como poderia a mãe de Belarmino saber desse ensinamento é um mistério que nunca Belarmino pedira, pediu ou pedirá explicação em vida. Algumas coisas ele soube; soube pois assim lhe pintava a mãe e por imaginação divisava Belarmino: o cavalheiro tanto era aquele indivíduo polido cujos maneirismos impressionam quanto aquele que monta garbosamente um cavalo e empunha uma lança. Pois, por extensão, ambos os cavalheiros são parecidos e não precisamente no sentido de serem indivíduos honrados. Seriam eles antes ladrões; enquanto um rouba dos adversários a vida; outro usurpa das pessoas a atenção. Quanto à grafia das duas palavras serem diferentes e estar o ensinamento incorrendo em erro de gramática pouco nos importa; a palavra escrita ainda não havia adquirido ares de pergaminho nem muito menos de impressão naquele lugar onde as histórias eram ainda passadas de boca em boca, tal qual o ensinamento das três propostas havia sido passado pela mãe da mãe de Belarmino e ele passaria para seus descendentes e esses por aí adiante até sabe-se lá aonde a história diga Basta, pare, aqui estão as raízes do que procuram. E quanto à definição que o ensinamento dava por homem honrado, disso não há como saber; homens eram vários, todos diferentes um do outro e não necessariamente honestos. Algumas coisas a pobre mulher não explicara ao seu filho, tanto por não ter resposta – o ensinamento poderia ser passado pra frente, mas a interpretação dele cabia a cada um fazer – quanto por não ter tempo para refletir sobre isso, pois muitas eram as obrigações existentes da fazenda onde viviam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, é numa fazenda, num fundo de vale onde começa a vida de Belarmino e esse relato decide pôr seus arreios. A fazenda dos seus pais, que antes fora dos pais dos seus pais e antes dos pais dos pais de seus pais e antes provavelmente fora terra tomada por Mouros durante a invasão e antes ainda talvez pertencesse a algum outro serviçal sob o serviço de outro rei que antes tivera pais e pais de seus pais e pais dos pais de seus pais e que antes pertencera a alguma tribo nômade e que antes estava à disposição de Deus pai todo poderoso que direito a ela sempre teve, mas como nunca viera procurar, todos os inquilinos passados foram ficando e agora os Moretti por ali iam se estabelecendo; o vale onde todos daqui do córrego até ali o fundo das videiras eram Moretti. Moretti eram todos, seu pai, sua mãe, seus irmãos, os tios, as tias e até os de confiança da casa e os que de longe vinham; tanta gente abrigava aquele lugar que problema algum havia em além do espaço, dividir também o sobrenome; alcunha e terra são coisas que nem todos possuíam ou possuem naqueles e nesses tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se muitos Moretti ocupavam aquele fundo de vale, Belarmino, todavia, eram apenas ele e o avô. O velho fizera parte nas campanhas contra os mouros em épocas passadas. Belarmino nunca o vira, pois o velho Moretti jamais retornara ao lar; dizem que se sumira numa das últimas batalhas decisivas contra o exército do Xeque. Ou fora deitado por terra como tantos outros o foram naquele mesmo dia ou então fora levado para o segredo da Terra Santa, afim de servir como escravo às gentes do Quarto Crescente. Homem sábio ele era e muito entendia do funcionamento das terras e dos céus, não era de se impressionar que tenha também inventado alguma forma de lá para cima subir para conferir os planos celestes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixando de lado uma história estática que pouco se move e abrindo uma outra que se mexe agora para ser estática como a outra daqui a pouco, o dia que descortina esse relato e põe os eventos a correr em seu caminho não foi muito feliz para Belarmino, ainda que fosse dia de comemoração das colheitas anuais. Ele passara a noite a secar e a lavar a lã que fora tosquiada das ovelhas durante o dia anterior, afim de que as mulheres pudessem coser as vestimentas e mantas para o inverno. Não conseguira acordar cedo o bastante para atrelar os freio a égua que levaria as comidas até o paço imperial, oito léguas distante. Acordou com o pai a gritar o nome de Bento, um dos seus irmãos. Era sempre assim; o pai nunca conseguia brigar com o filho certo; na mesma semana, já havia levado surras por Benedito, pelos gêmeos Tomé e Tomas, por Joaquim e até por Maria, uma de suas irmãs que tinha ares de um menino em suas maneiras do que de uma dama propriamente dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Belarmino corria para buscar as suas botas e colocá-las no pé, retirar as palhas dos seus cabelos, aprumar as vestimentas, descer em três passadas o lanço de escadas, sentar mão num naco de pão e levá-lo à boca, fugir de uma chicotada de seu pai e correr até o estábulo para preparar a égua, pensava no que veria na caravana imperial desse ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caravana imperial era um evento esperado por todas as gentes do ano. Acontecia sempre junto às festas da colheita, quando todos estavam felizes pelas farturas retiradas da terra ou resignados pelas agruras semeadas nela e levadas pelas enchentes rio abaixo. Era um dos poucos momentos no ano quando todos se punham a festejar, indo até o paço imperial pedir a benção ao padroeiro, celebração que mais tarde nossos olhos – ou pelo menos nossas imaginações – hão de testemunhar nesse relato. A caravana imperial era um grupo de artistas itinerante que passava pelas várias regiões do reino a apresentarem novidades do mundo afora. Eram coisas que sempre deixavam o povo em fervor; pois eram coisas que conquistavam mais corações e mentes que o próprio discurso do prior na missa do padroeiro, ainda que ninguém anunciasse isso à boca alta: o inverno estava logo ali para punir as terras e o inferno estava logo lá para levar quem desavisado fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas eram as atrações da caravana, mas não se poderão enumerar aqui, pois vejam lá que Belarmino já se aproxima do estábulo da égua. Porém, quando ia achegar-se para tocar a portinhola, não é que escuta um trinado? E não é de surpresa que o trinado vinha de um pequeno passarinho numa árvore ao lado. O pássaro tinha as penas de um azulado vivo e enchia o peito a trinar. Belarmino olhou para a ave e sorriu; uma de suas diversões era ouvir aquela série de cantos que ouvia da passarada do vale. Ele caçava impiedosamente aqueles que possuíam um canto feio. Não suportava tal coisa. Caçava a eles e também àqueles que possuíam um canto bonito; sonhava em formar um liceu onde os pássaros de canto feio teriam aulas com os pássaros de canto bonito, sendo que os mestres poderiam premiar seus melhores alunos com lugares protegidos para que pudessem construir seus ninhos e punir os alunos indisciplinados com os pontos de construção de ninho e acasalamento mais à vista dos predadores e das intempéries. Ouviu mais uma vez o canto do pássaro azul, mas, em meio a melodia escutou também um pio desesperado de socorro que vinha de alguma moita próxima a seus pés. Olhou com cuidado e lá descobriu um pássaro ainda filhote. Tinha os olhos por círculos azuis, estava despenado e não fazia a mínima idéia de onde estava. Era feio e tinha um canto feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belarmino correu até o estábulo e atrelou a égua. Seu pai já saíra de casa e estava agora vindo ter com ele, ainda zangado e com o chicote em mãos. A mãe estava com toda a carga pronta para ser posta na carroça; eram bolos fumegantes, doces de várias cores e outras culinárias gostosas que dispensam descrição e requerem paladar. A égua finalmente saiu do estábulo: vinha carregando uma carroça velha. O chicote que minutos atrás servira para surrar Belarmino agora era usado para cadenciar o passado do animal. As coisas foram carregadas e Belarmino e o pai seguiram viagem para o paço imperial. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na árvore ao lado do estábulo, dois pássaros azuis estavam lado a lado no mesmo galho. Ouviu-se um trinado, então silêncio. Logo em seguida, o mesmo trinado repetido, mas dessa vez com alguns erros em sua execução.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-2320871176704057992?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/2320871176704057992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=2320871176704057992&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/2320871176704057992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/2320871176704057992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2007/04/as-trs-negaes-de-belarmino-moretti-i.html' title='As Três Negações de Belarmino Moretti (I)'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-5154638774103134732</id><published>2007-03-10T03:14:00.000-03:00</published><updated>2007-03-10T03:19:08.421-03:00</updated><title type='text'>Em cena</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Terceiro sinal. Hora de começar a encenação. As luzes diminuem, os atrasados correm para os assentos, coisa desnecessária; a bilheteria vai permanecer aberta até quase metade da apresentação, ordens do dono do teatro, que não quer deixar de lucrar com aqueles que chegam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A rua é pequena, o teatro é pequeno, uma casa de espetáculos que já foi referência – todas já tiveram seus tempos de referência nalgum passado – mas que agora anda carcomida pelo tempo, o tablado cheio de cupins, as cortinas puídas, os assentos saindo espuma pelos rombos de cigarro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chovera até quase o primeiro sinal; a audiência era pequena. Uns velhos na primeira fileira, fugindo da monotonia das suas casas empoeiradas, alguns mendigos nas últimas, fugindo da chuva das suas casas de papelão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Algumas luzes da iluminação estavam quebradas e não poderiam ser substituídas antes da terceira semana de cartaz - se é que chegaríamos até a terceira semana. Quem nos garantiu isso foi o iluminador, entre um gole e outro da bebida barata que guardava no paletó, a produção não tinha dinheiro para gastos sobressalentes e, com mil diabos, ele não podia criar luzes com suas mãos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A falta de iluminação acarretaria algumas mudanças na dinâmica da peça. Joana, a mulher traída, não poderia caminhar mais que quatro passos em direção ao público na cena em que proferiria o monólogo ao saber da infidelidade; a cena em que Álvaro, o policial que tentava descobrir o assassino do marido traidor, escuta o diálogo que revela a identidade do matador teve que ser cortada pelo fato de que o ator ficaria em um lado do palco onde não havia luz alguma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O palco era pequeno; alguém poderia atravessá-lo com sete, oito passos. Mas eu não me importava muito com isso; meu papel também era nele, pequeno. Interpretava o médico que tentava curar Joana do trauma da traição, tentava estudá-la, acabava apaixonado. Quando todos pensavam que eu era o assassino, que matara o marido infiel por ter deixado Joana naquele estado, morria no final do segundo ato; uma das reviravoltas da peça, feitas para impressionar os espectadores e derrubar os engraçadinhos que achassem que já haviam desvendado o mistério. No clímax, todos descobririam que eu havia sido morto ao mesmo tempo em que me vinha o suicídio por não ter conseguido ajudar Joana com meu amor. Entrava rapidamente, falava minhas linhas, bancava o apaixonado, morria e desaparecia logo em seguida, tanto para os atores em cena quanto para a audiência torpe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espetáculo começou sem grandes rebuliços; o primeiro ato transcorreu bem, exceto pelo menino jornaleiro que atropelou sua fala, quase acertando a cabeça do Marido ao entregar o jornal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sineta, fecha a cortina, fumaça de cigarro, sineta, abre cortina novamente. Entrei em cena. Primeiro, tinha que atender Joana e, profissionalmente, ouvir suas lamentações de esposa traída. Receito descanso para ela, converso com meus superiores sobre o caso. Volto a falar com Joana, agora mais interessado. Continuo a escutar suas confissões, identifico-me com ela, me apaixono. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos duvidam de mim quando falo sobre o assunto. Começa a cena da minha morte, entro com a pistola na mão. Vejo o assassino de verdade na multidão de figurantes, preparo a pistola, aponto, desvio para minha têmpora no último segundo. Um disparo torpe é ouvido; vou ao chão. Uma poça de sangue acompanha meu movimento. Não sabia desse novo efeito, esbraveja o iluminador lá em cima. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. Os figurantes acercam-se do corpo, olham aturdidos entre si. O terceiro sinal e as cortinas baixam, sobre a poça de sangue. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A maior revelação ainda estava por vir, mas meu momento no espetáculo terminara.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-5154638774103134732?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/5154638774103134732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=5154638774103134732&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/5154638774103134732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/5154638774103134732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2007/03/em-cena.html' title='Em cena'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-115682633037731096</id><published>2006-08-29T01:07:00.000-03:00</published><updated>2006-08-29T01:44:49.090-03:00</updated><title type='text'>Fraturas transcendentes</title><content type='html'>&lt;em&gt;"O grande desafio de um fotógrafo é conseguir transferir o seu coração para a ponta do seu indicador no momento que dispara sua câmera".&lt;/em&gt; (Robert Doisneau)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dias atrás, olhei para um porta-retratos na casa de um amigo meu. Não havia nada de interessante na sua moldura, típica de um porta-retratos de uma família média (que conceito confortavelmente idiota o médio!). Muito menos a foto em si chamava a atenção. Tratava-se de uma tradicional foto de família; o pai, rodeado de seus filhos, há alguns anos atrás. Tecnicamente falando, a composição estava fora de quadro, o flash clareou demais o primeiro plano, escureceu o fundo. Provavelmente, fotógrafos profissionais precisariam de menos de dois segundos para identificarem a obra realizada como algo fotograficamente inexperiente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo assim, a foto chamou-me definitivamente a atenção. Talvez fosse pelo fato que estivesse emoldurada na sala da casa, indicando que era-lhe conferida um valor estético pelos membros da família (e por conseguinte, moral aos olhos dos visitantes). Ao mirar a foto, nada me indicava quem operou a máquina na ocasião. Mesmo assim, eu podia identificar, de algum modo secreto e misterioso, uma espécie de amor transparente para com as pessoas que apareciam na foto. Era como se naquele momento, tivesse ocorrido o que Roland Barthes chama de "fratura fotográfica", que é quando uma imagem nos chama a atenção por algo que provem do nosso inconsciente. Era como se o amor com que aquela pessoa tirara a foto naquela ocasião (seria a mãe, a tia, o avô?) tivesse impressionado o filme da máquina fotográfica no momento do disparo, transparecido para o papel fotográfico e, do papel, tivesse corrido para meus olhos e ecoado em minha mente, ferindo meu senso estético, muitos anos depois. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algo inexplicável me impede de dizer o motivo exato de ter gostado da foto. Mas, o fato de tê-la mirado, na penumbra de uma sala, sobre a cômoda, me levou a algumas reflexões. Lembrei-me que as fotos sempre nos remetem a um passado que não existe mais, mas que esse passado, a cada dia que passa, fica mais agradável de ser lembrado. E que, de alguma forma, a foto passou-me uma forte impressão, talvez muito mais forte que outras fotografias de grandes fotógrafos, pensadas para sucitar nos espectadores sentimentos profundos. E, nesse caso, cumpriu o seu objetivo. Reflito agora, ironicamente, de que valem as infinitas técnicas e teorias fotográficas? O sentimento de verdade sempre transcende ao mero imediatismo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-115682633037731096?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/115682633037731096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=115682633037731096&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/115682633037731096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/115682633037731096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2006/08/fraturas-transcendentes.html' title='Fraturas transcendentes'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-115363319969877159</id><published>2006-07-23T01:41:00.000-03:00</published><updated>2006-08-14T15:23:01.733-03:00</updated><title type='text'>Um passaro? Um aviao?</title><content type='html'>Claro que todo mundo sabe o que é um herói; as revistas em quadrinhos devem ter povoado suas casas anos atrás; hoje são mera literatura de banheiro ou estão esquecidas nalgum canto escondido (todos têm um canto escondido em casa, basta procurar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, quero chamar a atencao para a figura do herói. E quero dizer que não é exatamente sobre esta figura que quero falar.  O Super Homem, o Homem Aranha e o Batman fazem parte do imaginário coletivo; são representações das aspirações humanas dentro de um contexto histórico. Querer salvar o mundo do crime ou poder zelar pela paz universal e eterna é de certa forma um desejo reprimido dentro da maior parte das pessoas; elas apenas extravasam isso de suas mentes ao criarem e cultuarem os heróis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante é que a figura do herói se faz presente muito antes dos quadrinhos da Marvel ou das telas de cinema; eles se fazem presentes em toda a história da Humanidade. Não existe um conectivo lógico que explique o seu surgimento; existem lendas que descrevem atos heróicos tanto no imaginário grego – em relatos como a Odisséia e a Ilíada que ficaram famosos porque vieram até nós através da escrita – quanto no folclore tupi guarani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No termo mais próprio da palavra, o herói é uma pessoa que empreende uma viagem em busca de algo, saindo de um ponto inicial e querendo alcançar outro, uma finalidade, um proposito. Qual será este propósito final e quais os caminhos que devem ser empreendidos para se chegar até lá nunca são revelados de inicio; é tarefa do herói ir atrás deles, e somente a sua jornada revelará mais sobre sua busca. A missão do herói também é revestida de tentativas e repetições – o chamado eterno-retorno; ele jamais consegue avançar para a próxima etapa de sua busca se não fizer tudo o que tem que fazer em determinada situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mito do dragão – nas lendas medievais ocidentais – também guarda sua relação com o imaginário heróico. O dragão é um ser que guarda consigo uma serie de coisas valiosas; ouro, jóias, donzelas, armaduras. Mas ele não sabe por quê razão as guarda; ele apenas...as guarda. Então, o herói entra em cena e tentará vencer o dragão. O interessante é que o dragão sempre representa alguma fraqueza do herói; seja o seu medo por fogo ou simplesmente a aversão pelo desconhecido.  É entao que abrem-se duas opções para o desfecho da historia. Em alguns mitos o cavaleiro realmente vence o dragão – e seus medos – tornando-se senhor de todas as coisas que ali estão guardadas. Já em outros ele derrota o monstro porem acaba sucumbindo com ele em um primeiro momento, renascendo logo depois em algo diferente, mais forte e rejuvenescido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que enquanto escrevo isso, você está imaginando centenas de enredos de desenhos animados, filmes ou historinhas infantis. Realmente esta antiga forma de se contar historias – talvez a mais antiga –  já foi e ainda é usada exaustivamente para este mesmo fim...contar historias. A maioria das pessoas se cansa de ouvi-las depois de um tempo (basta lembrar das revistinhas no canto escondido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes penso que os Heróis são apenas mera bobagem para se entreter crianças; ou um pergaminho que apenas representa as historias e o pensamento retrogrado do passado. Talvez seja isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, eu não consigo deixar de pensar nos heróis e nas suas eternas buscas fantásticas de quando em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ps: Não quis colocar nenhuma conclusão clichê no final desse post, perguntando se heróis realmente existem ou fazendo uma enquete sobre se você fosse um herói qual seria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-115363319969877159?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/115363319969877159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=115363319969877159&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/115363319969877159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/115363319969877159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2006/07/um-passaro-um-aviao.html' title='Um passaro? Um aviao?'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-115164766612963189</id><published>2006-06-30T02:50:00.000-03:00</published><updated>2006-07-18T15:59:15.366-03:00</updated><title type='text'>Ao sair, por favor, apague a luz</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt; Já não serei mais feliz. Mas tanto faz.&lt;br /&gt;Há tantas outras coisas nesse mundo;&lt;br /&gt;Um instante qualquer é mais profundo,&lt;br /&gt;Diverso que o mar. A vida, fugaz,&lt;br /&gt;E embora as horas passem devagar,&lt;br /&gt;Obscura maravilha nos espera,&lt;br /&gt;A morte, esse outro mar, essa outra seta&lt;br /&gt;Que do sol nos liberta e do luar&lt;br /&gt;E do amor. A alegria que me doaste&lt;br /&gt;E me tiraste, que seja apagada;&lt;br /&gt;O que era tudo se transforme em nada.&lt;br /&gt;O gozo de estar triste só me baste,&lt;br /&gt;Este costume vão que a mim inclina&lt;br /&gt;Ao sul, a certa porta, a certa esquina.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Um epitafio. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Borges talhou-o.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-115164766612963189?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/115164766612963189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=115164766612963189&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/115164766612963189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/115164766612963189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2006/06/ao-sair-por-favor-apague-luz.html' title='Ao sair, por favor, apague a luz'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-114496817576877355</id><published>2006-04-13T19:38:00.000-03:00</published><updated>2006-05-30T22:49:33.290-03:00</updated><title type='text'>Ele por ele mesmo</title><content type='html'>Um dia, Roberto descobriu ser um homem ridículo. Não que nunca tivesse notado isso, mas pelo menos disfarçava, fingia não ser com ele. Porém, finalmente, depois de refletir, Roberto descobriu-se homem ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade, não pensou muito. No fundo, era ridículo por definição própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu virar escritor de madrugada; mais um daqueles diabos que passam noites e noites batucando as letrinhas de uma máquina de escrever velha, achando-se muito diferente e superior do resto do povo que dorme àquela hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente,  esquecia (ou talvez mentia pra si mesmo tentando não lembrar) que os dormentes eram muito mais dignos e superiores que ele. Pois o resto do mundo dormia, e se dormia, sonhava. E sonhar é justamente o que lhe era proibido, era a quimera da sua mediocridade. Ele pensava, refletia, escrevia, editava e corrigia. Os outros dormiam, sonhavam, sorriam e quiçá se alegravam em seus sonos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto descobriu-se, um dia, um homem ridículo, desses que andam de cabeça baixa sem motivo, falam palavras sem nexo e andam de jeito esquisito. Talvez tenha sido sempre assim, talvez esse seja seu eterno rosto transitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as noites, antes de sentar-se para escrever em sua velha máquina de escrever, pergunta-se se sua vida deixará um dia de ser assim. Mas ele simplesmente não sabe responder. É demasiado ridículo para pensar demais sobre esse assunto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-114496817576877355?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/114496817576877355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=114496817576877355&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/114496817576877355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/114496817576877355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2006/04/ele-por-ele-mesmo.html' title='Ele por ele mesmo'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-114194479815067857</id><published>2006-03-09T19:44:00.000-03:00</published><updated>2006-04-11T23:02:26.790-03:00</updated><title type='text'>Parca-divagação-em-meio-a-uma-chuva-de-verão-que-pensou-ser-inverno</title><content type='html'>Começo a cogitar se realmente os sonhos existem. O termo me figura tão desgastado e roto que lembra-me uma lápide onde se escreveu algo muito importante que o tempo e o uso não deixam mais discernir as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois a definição de sonho, em suas oníricas revelações do real, perdeu-se em si mesma. Isso faz com que as pessoas tenham todos os sonhos do mundo e ao mesmo tempo não tenham sonho nenhum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-114194479815067857?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/114194479815067857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=114194479815067857&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/114194479815067857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/114194479815067857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2006/03/parca-divagao-em-meio-uma-chuva-de.html' title='Parca-divagação-em-meio-a-uma-chuva-de-verão-que-pensou-ser-inverno'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-113669813886133399</id><published>2006-01-08T02:45:00.000-02:00</published><updated>2006-01-08T03:28:58.880-02:00</updated><title type='text'>Caixinha de música de Taiwan</title><content type='html'>Você tem um sonho? Acha-o ousado e difícil de ser realizado? Não se preocupe: outro já teve um assim também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não quero fazer um post de auto ajuda, ainda que o parágrafo acima pudesse muito bem ingressar nalguma página de um desses livros de auto-ajuda vendidos em drogarias. (uso único, sem efeitos colaterais, sua vida de volta nos eixos por apenas R$ 9, 99) .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu sonho, seja ele qual for, não é um produto original. É um reflexo de várias aspirações de vida dos outros, das experiências, da glória refletida nos olhos daqueles que cantam seus feitos aos quatro ventos. O seu sonho é um amontoado de elementos usurpados de vidas; existências alheias que na sua opinião deram certo. Tudo o que você faz é seguir essa miscelânea de caminhos já trilhados, perdendo-se na quantidade de opções e tendo a falsa impressão que anda em estradas nunca antes desbravadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você ri da minha cara e diz que falo besteira. Pois cada sonho é um sonho e seus sonhos são diferentes só pelo fato de eles serem seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poupo seu raciocínio meu caro, pois não gosto de coisas óbvias, assim como tu. Digo que esse post não é de auto-ajuda, mas também não é original. Ele tem um sonho, assim como eu e você (não discutamos o grau de fantasia das coisas também; dei-te uma concessão acima, devolva-ma agora por favor).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa lição assentada aqui no canto de borda do fim do mundo que é esse lugar onde está agora com seu teclado binário, essa lição está presa no limbo do senso comum; apenas é pretenciosa, quer vender pra ti um conselho quase tão baixo quanto o livro de auto ajuda no caixa da drogaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te digo uma coisa, meu caro. Cada vez mais acho difícil encontrar algo completamente original; tudo no mundo ressoa pra mim como um eco que reverbera sem fim, indo e voltando ao som duma tresloucada valsa de caixinha de música barata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas falar assim, ainda não é solução. Como eu disse, esse post não foge do senso-comum. E nem vai. Permanecerá aí onde você o vê agora, preso nas entranhas desse monótono universo de janelas, trojans e pop-ups.  Quiçá algum dia suma e então será como se nada tivesse existido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, é um post sem fim. Lembra um sonho qualquer daqueles sem defecho que temos na madrugada perdida. Ele não termina; mas de tão desisteressante que é, pouco importa saber como acabaria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-113669813886133399?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/113669813886133399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=113669813886133399&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/113669813886133399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/113669813886133399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2006/01/caixinha-de-msica-de-taiwan.html' title='Caixinha de música de Taiwan'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-113349379900514355</id><published>2005-12-02T01:09:00.000-02:00</published><updated>2005-12-02T01:23:19.043-02:00</updated><title type='text'>Oníricos degraus</title><content type='html'>A idéia da escada me fascina há algum tempo. Sim, a velha idéia de que preciso subir vários e vários degraus de uma quase infinita escada cujo ápice contaram-me (quem? não sei. Se tiveres uma opinão sobre isso mande uma carta com selo de resposta para o endereço abaixo e eu farei questão de lê-la e botá-la de novo no correio pra você) encontra-se a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero subir essa escada; todos querem subir suas escadas também, pois a idéia da escada não fascina só a mim. Fascina a quase todos os mortais que já pensaram em como uma pedra pode ser e não rolar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divagações, você me pergunta? Constatações eu te digo. Sim, constato que a escada é longa e que certos degraus só podem ser subidos se certas coisas acontecerem. Quero que elas aconteçam, quero muito. Mas é justamente aqui que reside meu medo: eu quero muito. E, nesse querer muito, as coisas podem acontecer só em sonho e meu sonho pode ser grande demais para achar as respostas que preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo que a escada seja mais uma das grandes miragens da minha vida; temo em divagar demais sobre isso e novamente perder-se em mim. Mas, como a coragem é o que me manteve vivo até hoje, mantenho-me firme nessa decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que sei é que quero subir os degraus até o infinito. E não quero fazer isso sozinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-113349379900514355?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/113349379900514355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=113349379900514355&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/113349379900514355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/113349379900514355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2005/12/onricos-degraus.html' title='Oníricos degraus'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-112990733460550819</id><published>2005-10-21T12:25:00.000-02:00</published><updated>2005-10-21T18:01:50.576-02:00</updated><title type='text'>opmet</title><content type='html'>O tempo se dissolve defronte aos meus olhos, derretendo e escorrendo pelo bueiro mais próximo. Lembra-me muito aquela pintura de Salvador Dalí - provavelmente a sua mais famosa - onde um relógio está dependurado dissociado e derretido por sobre os galhos de uma árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo derrete-se diante de mim, mas faz questão de o fazer lentamente. Ele tem consciência que está se dissolvendo; eu tenho consciência que ele está se dissolvendo. Mas, mesmo assim, o espetáculo é prolongado até seu desfecho mais esperado, e ao mesmo passo, mais agoniante, pois não me é possível fazer nada - absolutamente nada - para impedir que ele se perca. Ele parece-me feliz por assim derreter; está triunfante quando chega ao desfecho de seu movimento anti-temporal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo escapa de meu domínio. Quando tento agarrá-lo, voa em um vôo tresloucado, sem saber direito porque voa, tal qual um pássaro que voa alucinadamente com a aproximação de uma pessoa. Quando desejo que passe rápido, delonga-se em infinitas divagações, desdobra-se em uma gama de elucubrações, perde-se em uma intrincada rede de caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo confunde-me e me aprisiona a uma realidade etérea em seus misteriosos destinos, estéril em suas soluções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cativo permaneço nessa galé, um verdadeiro escravo dominado pelo Senhor Tempo, degredado a remar compulsivamente para um destino final completamente desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...e nem tentar colocar o tempo de avesso o fará agir diferente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-112990733460550819?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/112990733460550819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=112990733460550819&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/112990733460550819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/112990733460550819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2005/10/opmet.html' title='opmet'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-112932215556983512</id><published>2005-10-14T16:59:00.000-03:00</published><updated>2005-10-15T21:04:42.596-03:00</updated><title type='text'>O fantástico teorema da Oxidação</title><content type='html'>Incrível a capacidade das coisas enferrujarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que existe um processo químico por detrás disso, com o oxigênio reagindo com os metais, liberando radicais livres (talvez a única palavra científica surpreendentemente revolucionária) e tudo o mais. Porém, não quero me referir somente a essa ferrugem natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez que nada sei sobre a isso - e de certa maneira sou um tanto agradecido po isso pois se soubesse eu seria alguém ainda mais chato e prolixo que já sou -, gostaria de levar a discussão para o lado poético (sim, sempre ele).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero falar sobre a ferrugem onírica. Então, repetirei a mesma frase que abre esse post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível a capacidade das coisas enferrujarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo enferruja nossos amigos, nossos amores, nossas paixões e nossos ódios. Qualquer sentimento exposto ao infalível ar do tempo acaba por sofrer com a sua ação. Na maioria das vezes esse efeito é negativo; lembrem de quantos amigos já perderam não por causa de rompimentos abruptos, mas porque foram perdendo aos poucos, dia a dia, os laços da conveniência que atavam essas amizades (uma fala clichê para iluminar sua tela binária com a comodidade da trivialidade. Não precisa me agradecer). Pensem em quantos amores foram ficando gastos com o passar das horas, dias, meses e anos, até atingirem tal ponto onde não mais poderiam ser salvos. Tentem contabilizar a quantidade de sonhos idealizados - perfeitas reproduções do Perfeito - que se perderam gradualmente em suas mentes ocupadas demais com O Futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E onde ou em quem podermos colocar a culpa por isso? (porquê tudo o que acontece de maléfico conosco deve sempre ter um culpado, não importa qual).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo, nos amigos, nos amores, nos sonhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não faremos nada a respeito, pois isso é algo que está fora de nossa capacidade de ação. Continuamos como sempre fomos. E é aqui que o post chega a um ponto em que se questiona a si mesmo, limita-se a somente apontar o problema, tropeça e por fim se perde em si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo continua e continuará o mesmo. Inclusive a ferrugem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ps: Não sei explicar por quê, mas a idéia da ferrugem, por ser recorrente em meu discurso, já está um tanto enferrujada. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-112932215556983512?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/112932215556983512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=112932215556983512&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/112932215556983512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/112932215556983512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2005/10/o-fantstico-teorema-da-oxidao.html' title='O fantástico teorema da Oxidação'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-112615912692290314</id><published>2005-09-08T01:27:00.000-03:00</published><updated>2005-09-08T02:58:46.933-03:00</updated><title type='text'>Manifesto Neo-Surreal</title><content type='html'>Falam sempre por aí que o dia sete de setembro é uma data importante, pois é nesse dia que aconteceu um grande rompimento na história do Brasil e etecetera e tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, poupo-lhes os neurônios de falar mais alguma coisa nesse sentido. Falei isso apenas por que quero salientar que o dia de hoje é importante para mim, de certa maneira.  Pois foi após um período de reflexões e escavações profundas, na busca do sentido de minha existência, que finalmente cheguei a um pseudo-veredito-paradigma sobre quem eu sou e para onde vou. Sim, meus caros, consegui definir a mim e a meu destino com um certo grau exatidão; e não precisei para isso de um profile no Orkut, sessões de pscicanálise ou terapias de eletrochoque nalgum sanatório romantizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defini-me hoje como um ser indefinido, sem começo, sem meio, sem fim.  Alguém maleável e completamente relativista, possuidor de ângulos de visão multiplos dentro de um só &lt;em&gt;pont-de-honèur&lt;/em&gt; , um discorredor perdido e encontrado no assunto em pauta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que comece a invocar figuras de linguagem demasiadamente Raulescas e diga que das-telhas-eu-sou-o-telhado, resumo minha descoberta dizendo que rompi com a mesmise das crises existencio-filosóficas que me acometiam - e que devem acometer a maioria dos seres humanos desse planeta com mais de vinte anos e com princípios de calvicie - me declarando uma pessoa completamente adepta do Surrealismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso de se declarar adeptode um movimento costumava funcionar em épocas passadas, quando artistas que não encontravam definições para sua arte deixavam-se levar por modelos pré-definidos, enquadrando e seguindo certos "ensinamentos" dentro das escolas estéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu farei algo diferente disso. Não que julgue-me superior ou mais inteligente que os artistas do passado (sequer enquadro-me como um artista!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pretendo ser é um ser Neo-Surreal. E, sendo assim, abraçarei a lógica de não concentrar lógica alguma em minhas buscas sensoriais da minha esfera de vivência. Definirei-me como uma bela pintura dadaísta, sem sentido intrínseco, só com sentidos subjetivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pensem o que quiserem sobre mim, mas sou, a partir de hoje, um ser sem definição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o melhor da vida é ser um não ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-112615912692290314?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/112615912692290314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=112615912692290314&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/112615912692290314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/112615912692290314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2005/09/manifesto-neo-surreal.html' title='Manifesto Neo-Surreal'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-112464798314776624</id><published>2005-08-21T14:42:00.000-03:00</published><updated>2005-08-21T15:13:03.156-03:00</updated><title type='text'>Passemos ao passado</title><content type='html'>Surpreendo-me a refletir sobre o passado. Não que tal ação - pensar sobre o que já aconteceu com a minha pessoa e com outras na infinita cadeia de acontecimentos e fios invisíveis que nos cercam todos os dias -  não seja por demais comum no ser Humano e que, somente pelo fato de eu estar pensando nesse assunto ele se torne algo especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que, no dia de hoje,  li o livro de Roland Barthes "A Câmara Clara". Neste pequeno livro, o intelectual francês traça um panorama da fotografia tão trágico e triste que me causou um certo espanto. Diz ele que toda e qualquer fotografia, por mais viva e alegre que pareça, traz em si a idéia da Morte, uma vez que uma foto sempre diz respeito a um acontecimento já ocorrido (que naturalmente não mais poderá se repetir) e que, com passar dos anos, tudo o que ali é impresso pela luz não exitirá mais.  Também Barthes nos conta no desfecho de sua obra - usando de um discurso terrificado que mais parece-me que o autor inclina-se no ouvido do leitor para relatar sua descoberta aterrorizante - que toda fotografia é uma loucura sem fim.  Loucura por quê consegue apreender a realidade e atar as pessoas, os valores, os sentimentos e o que eles representam ao eterno passado, de modo que nenhum deles pode retomar novamente a sua idéia ou perspectiva de futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso deixou-me inquieto pois não havia pensado a vida por essa perspectiva. Começo a cogitar se talvez essa prisão do passado não se restrinja somente a fotografia; e se também todas as decisões que tomamos na vida nos atassem, aos poucos, dia após dia, a fios invisíveis que, aos poucos nos remetem ao nosso passado e que terminarão, de uma forma ou de outra, a nos prender irremediavelmente ao que já se passou? Pois um dia, todos não seremos também parte de um passado remoto, ecos de uma época que não existe mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei até que ponto esta idéia é válida e tenho certeza de que a retomarei mais a frente para estudá-la de forma melhor. Talvez  a leitura de Boudelaire e sua busca pelo tempo perdido me dêem algumas orientações a mais nesse sentido. Mas por hora, me sinto muito inquieto com isso. Ainda mais porque penso que Barthes encontrou algo nesse sentido quando terminou seu livro, na Paris do fim dos anos 70.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quase uma ironia que ele tenha logo em seguida passado para o passado; morreu menos de um ano depois, vítima de um atropelamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-112464798314776624?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/112464798314776624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=112464798314776624&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/112464798314776624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/112464798314776624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2005/08/passemos-ao-passado.html' title='Passemos ao passado'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-112059804093468807</id><published>2005-07-05T17:51:00.000-03:00</published><updated>2005-07-05T18:14:00.940-03:00</updated><title type='text'>As evasões bárbaras</title><content type='html'>Não consigo entender o que move esse povo que parece dedicar cada minuto de suas vidas imediatas em partir para o mais longe possível; uma espécie de ânsia irrefreável de ver as belezas d'outre-mèr é o que acomete essas pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal encantamento - pintado a cores tão belas e reais por aqueles que já fizeram algo semelhante - cria uma espécie de sentimento de urgência em todos aqueles que ainda não foram para longe. E isso se torna uma espécie de doença contagiosa que, como uma gripe espanhola, subjuga um a um aos interesses de partir, a qualquer custo, a fim ver as vislumbrantes paisagens do longinqüo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não penso em criticar esses seres - até porque tenho semelhantes sonhos em desbravar e ampliar os horizontes de meu limitado pensamento. Somente acho-os um tanto ridículos em sua eterna urgência de equipararem-se aos seus pseudo-semelhantes. Vejo tanto encantamento e vislumbre nesses relatos de experiências obtidas em outros lugares que não consigo deixar de pensar em uma espécie de Eldorado contemporâneo - um caminho ficticio a um amontoado de ouro de tolo reluzindo em meio a um vale estéril.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-112059804093468807?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/112059804093468807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=112059804093468807&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/112059804093468807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/112059804093468807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2005/07/as-evases-brbaras.html' title='As evasões bárbaras'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-111760107089668885</id><published>2005-06-01T00:49:00.000-03:00</published><updated>2005-06-01T01:50:07.136-03:00</updated><title type='text'>Ecos de uma mente censurada</title><content type='html'>Tenho uma porção de personas aprisionadas em minha mente. Elas têm uma multiplicidade de facetas, mas um ponto é comum em suas vidas: todas anseiam por sair desse atônito claustro anônimo e passear pela realidade. Pois somente assim estariam felizes: afinal poderiam viver entre as pessoas e sofrer todas as conseqüências disso: serem amadas, odiadas e julgadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo que esses personagens precisam é que eu conte as suas histórias. E, como carrasco que sou, não as liberto em hipótese alguma de suas celas. Assim, elas definham, vão perdendo suas cores vivas e seus trejeitos; algumas morrem. Provavelmente de cansarem de esperar pela minha boa vontade que insiste em não conferir-lhes a tão sonhada alforria letrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a ditadura prossegue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sugestão de Leitura: Seis Personagens em busca de um autor (Luigi Pirandello)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Não se esqueça que cada ser humano não é um; é na verdade dois. E certo sempre está o outro"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Jorge Luis Borges&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-111760107089668885?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/111760107089668885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=111760107089668885&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/111760107089668885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/111760107089668885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2005/06/ecos-de-uma-mente-censurada.html' title='Ecos de uma mente censurada'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-111717549330276303</id><published>2005-05-27T03:06:00.000-03:00</published><updated>2005-05-27T03:31:33.313-03:00</updated><title type='text'>Horas Neutras ou olhe homem chegastes ao limiar das divagações</title><content type='html'>A criatividade decidiu fazer-me uma visita repentina às 3 horas da manhã. Chegou gritando pela casa, em seu acesso trivial de estrelismo e deferência, tresloucadamente declarando ser aquela sua última visita. Corri a pegar uma cadeira para a recém chegada, na esperança de que ela quedasse mais um tanto em minha companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pura ilusão. Assim como chegou, a velha conhecida irreconhecível levantou e disse que não voltaria enquanto não fosse previamente anunciada. Bateu a porta por trás de si quando saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei cá eu, com minhas velhas histórias de personificações e a minha dialética empoeirada. Bem, dou de ombros; ao menos sei eu que ela vai voltar. E vai fazer questão de não ser anunciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assunto nasce, cresce, reproduz-se e morre. Um legítimo ser ambíguo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que dizem das estações. O que importa não são os destinos mas sim a coragem de embarcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um poeminha encarquilhado para esfriar o gelo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Loucura do dia&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Não tenho ritmo&lt;br /&gt;Porém faço versos&lt;br /&gt;E os versos me contam&lt;br /&gt;Como eu sou&lt;br /&gt;Nada certo&lt;br /&gt;Só um resto&lt;br /&gt;Do que sobrou.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Tento viver assim;&lt;br /&gt;Procurando a razão&lt;br /&gt;Nos pingos dos ‘is’&lt;br /&gt;E nos ‘ou’&lt;br /&gt;Mas&lt;br /&gt;são os ‘mas’&lt;br /&gt;Que me levam a pensar&lt;br /&gt;Se você&lt;br /&gt;de fato&lt;br /&gt;me amou.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;O amor partiu e&lt;br /&gt;Levou com ele&lt;br /&gt;Tudo o que viu&lt;br /&gt;Colocou nas malas&lt;br /&gt;a lembrança&lt;br /&gt;a saudade&lt;br /&gt;até o meu&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;vazio.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Mas te peço todavia:&lt;br /&gt;Não tenha pena&lt;br /&gt;desse aqui&lt;br /&gt;Ache-o fatalista&lt;br /&gt;Mas não tenha dó,&lt;br /&gt;Ele apenas é um louco&lt;br /&gt;Um maluco&lt;br /&gt;Sentado ao sol&lt;br /&gt;Nem feliz&lt;br /&gt;Nem triste&lt;br /&gt;Apenas&lt;br /&gt;Só.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Eu jamais entraria em um clube onde aceitassem-me como sócio"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Goucho Marx&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-111717549330276303?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/111717549330276303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=111717549330276303&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/111717549330276303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/111717549330276303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2005/05/horas-neutras-ou-olhe-homem-chegastes.html' title='Horas Neutras ou olhe homem chegastes ao limiar das divagações'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-111423414184950153</id><published>2005-04-23T02:05:00.000-03:00</published><updated>2005-04-23T02:29:01.850-03:00</updated><title type='text'>Elogio a Elegia</title><content type='html'>Perca seu tempo e envelheça. Convença a você mesmo que no final das contas valeu a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E valeu mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, não sei meu camarada, a vida é sua, o tempo também. Se possível fosse pra ti vender um pouco de sua existência para alguém que precisasse ou que simplesmente quisesse ter uma vida longa de magnatismo e luxúria, quanto você pediria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, perdão, não creio que tu pudesse fazer algum preço sob sua alma; provavelmente você teria que seguir a cotação vigente no mercado de ações de tempo: dependendo da quantidade comprada, o preço flutuaria ou depencaria. Sendo um acionista de tempo, ao menos sentiríamos muito mais o tempo perdido do que atualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, tenho meus olhos doídos de sono e minha mente em um estado de semi torpor. Só mesmo minhas mãos insistem numa fracassada revolta, tiritando insolenemente esse passeio fora de hora pelo mundo signatário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou feliz no fundo, com tudo isso. Feliz por que ao menos o movimento existe e movimento é tempo e tempo graças a Deus ainda não virou dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;"Chegou atrasada. Ele acabou de saltar. Mas disse um recado pra ti antes de pular. Ele me fez decorá-lo e repeti-lo em alto e bom tom no momento exato que seu crânio partiu-se no asfalto, espalhando todas suas idéias no éter. Fiz questão de fazer o que ele me dissera e cumpro agora a parte final da promessa. A única coisa que realmente lamento de tudo isso é que hoje ainda não tive tempo de me olhar no espelho".&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Tempestade Elétrica (2005) pg 38&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-111423414184950153?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/111423414184950153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=111423414184950153&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/111423414184950153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/111423414184950153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2005/04/elogio-elegia.html' title='Elogio a Elegia'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12325920.post-111406213835674427</id><published>2005-04-21T02:15:00.000-03:00</published><updated>2005-04-21T02:42:51.420-03:00</updated><title type='text'>Eu não gosto de terça feira</title><content type='html'>Abro minha sessão postográfica com um pensamento batido e desvirtuado completamente em nossa sociedade atual: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena"- nada erótico infelizmente. Pobre diabo foste, Pessoa, para merecer reconhecimento tão fútil. Descansas agora na língua flácida do povo que carrega teu fanstasma inerte nos ombros, mas não teve coragem de sequer olhar em sua face quando eras carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pensamento clássico para contradizer o título desse post, que mais lembra uma manhã ignorante de um jovenzinho rebelde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A missão desse espaço não é ter missão nenhuma. Portanto, se entra você aqui pensando encontrar algo de intelectual, estranho, altista ou engraçado, vá logo tratando de fechar essa janela binária. Não tenho nada em ambas as mãos e não pretendo fazer mágicas para entretê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assumo que sempre senti fascínio em entrar em blogs e fotologs de meus amigos em uma treloucada tentativa de disivisar suas personalidades através de um buraco de fechadura. Sou, pensando dessa maneira, uma espécie de voyeur eletrônico. Menos mal, no mínimo eu admito isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre colocarei comentários em meus posts, só pra poder espiar (eita palavrinha carregada de maldição nessas épocas de 84) o que os indívíduos (binários também....sim todos eles e tudo) podem me dizer com desestimulantes clichês (coisa que aprecio com refinado gosto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, gostaria de esclarecer que escrevo sob pseudônimo nesse blog. Pois sou um informante profundo de meu próprio governo e minha identidade não pode de forma alguma ser revelada a mim, sob o risco de atentado a vida reflexiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Pois eu faço blogs como quem morre e há uma gota de sangue em cada post - disse ele voltando-se para o senhor Vácuo sentado ao seu lado na confortável poltrona de mármore. Tudo bem, sussurou sua majestade olhando diretamente para seu tato, também não gosto das madrugadas com orvalho"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Mar Lunar (&lt;strong&gt;&lt;em&gt;2000) &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;pg 158-59 &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12325920-111406213835674427?l=deepthroatcronicles.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/feeds/111406213835674427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12325920&amp;postID=111406213835674427&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/111406213835674427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12325920/posts/default/111406213835674427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deepthroatcronicles.blogspot.com/2005/04/eu-no-gosto-de-tera-feira.html' title='Eu não gosto de terça feira'/><author><name>Carlos Debiasi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11228176391042982004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
