opmet
O tempo se dissolve defronte aos meus olhos, derretendo e escorrendo pelo bueiro mais próximo. Lembra-me muito aquela pintura de Salvador Dalí - provavelmente a sua mais famosa - onde um relógio está dependurado dissociado e derretido por sobre os galhos de uma árvore.
O tempo derrete-se diante de mim, mas faz questão de o fazer lentamente. Ele tem consciência que está se dissolvendo; eu tenho consciência que ele está se dissolvendo. Mas, mesmo assim, o espetáculo é prolongado até seu desfecho mais esperado, e ao mesmo passo, mais agoniante, pois não me é possível fazer nada - absolutamente nada - para impedir que ele se perca. Ele parece-me feliz por assim derreter; está triunfante quando chega ao desfecho de seu movimento anti-temporal.
O tempo escapa de meu domínio. Quando tento agarrá-lo, voa em um vôo tresloucado, sem saber direito porque voa, tal qual um pássaro que voa alucinadamente com a aproximação de uma pessoa. Quando desejo que passe rápido, delonga-se em infinitas divagações, desdobra-se em uma gama de elucubrações, perde-se em uma intrincada rede de caminhos.
O tempo confunde-me e me aprisiona a uma realidade etérea em seus misteriosos destinos, estéril em suas soluções.
E cativo permaneço nessa galé, um verdadeiro escravo dominado pelo Senhor Tempo, degredado a remar compulsivamente para um destino final completamente desconhecido.
...e nem tentar colocar o tempo de avesso o fará agir diferente.
O tempo derrete-se diante de mim, mas faz questão de o fazer lentamente. Ele tem consciência que está se dissolvendo; eu tenho consciência que ele está se dissolvendo. Mas, mesmo assim, o espetáculo é prolongado até seu desfecho mais esperado, e ao mesmo passo, mais agoniante, pois não me é possível fazer nada - absolutamente nada - para impedir que ele se perca. Ele parece-me feliz por assim derreter; está triunfante quando chega ao desfecho de seu movimento anti-temporal.
O tempo escapa de meu domínio. Quando tento agarrá-lo, voa em um vôo tresloucado, sem saber direito porque voa, tal qual um pássaro que voa alucinadamente com a aproximação de uma pessoa. Quando desejo que passe rápido, delonga-se em infinitas divagações, desdobra-se em uma gama de elucubrações, perde-se em uma intrincada rede de caminhos.
O tempo confunde-me e me aprisiona a uma realidade etérea em seus misteriosos destinos, estéril em suas soluções.
E cativo permaneço nessa galé, um verdadeiro escravo dominado pelo Senhor Tempo, degredado a remar compulsivamente para um destino final completamente desconhecido.
...e nem tentar colocar o tempo de avesso o fará agir diferente.